Talvez vou parecer repetitiva nesse post, mas preciso compartilhar com vocês sobre o valor de um estilo de vida criativo. Quando pequena meu senso de curiosidade era grande. Desde observar o trajeto da formiga carregando sua comida a fazer perguntas que os adultos, muitas vezes, não conseguiam me responder. Ainda hoje, meus pais riem quando se lembram disso… Para mim, observar a natureza e tentar descobrir coisas novas me ajudavam a perceber o mundo a minha volta e a ter ideias pra brincar de faz de conta. É óbvio que eu não tinha esse entendimento na época, mas olhando para trás consigo fazer a leitura do que era natural pra mim.

Com o tempo, o processo de “adultecer” começou e com ele vieram muitas responsabilidades e desconfortos. E sim, querido leitor, se você foi como eu – e a maioria das crianças – o desejo de crescer e se tornar “grande” para poder fazer o que quiser, quando quiser, estava fortemente presente. E, apesar de acreditar que ser adulto é muito bom, acabei não carregando esse senso imaginativo para a vida adulta. Não que eu não fosse uma pessoa curiosa, ou não quisesse expressar meu mundo interno, mas agora a minha obrigação era me tornar uma boa cidadã e cumprir com meus deveres, (além de ganhar meu próprio dinheiro, é claro). E para tal, já não haveria tempo para sonhar acordada nem tampouco fazer escolhas tolas. Todos os trabalhos que eu tive dos 16 anos até me casar foram em ambientes que eu não precisava criar, a bem dizer a verdade, apenas seguir ordens e cumprir com a linha de produção (mais ou menos como o taylorismo).
Trago esse cenário aqui como uma representação do que vejo acontecer com muita gente que conheço. Tornamo-nos adultos responsáveis, procurando obedecer as regras da sobrevivência; exatamente como “manda o figurino”. Mas em algum momento sentimos que falta algo, quem sabe uma pequena peça para formar o quebra-cabeça humano. Eu gostaria de sugerir que essa peça seja o desejo profundo de expressarmos nossa essência, livremente, através de um estilo de vida criativo, inato e diferente para cada um de nós. Eu mesma só comecei a escrever depois de completar 44 anos. E quando decidi fazê-lo não foi por dinheiro ou porque finalmente tive a “benção” de alguém para isso. Foi mera e simplesmente pela volta da inspiração de criança de desvendar novos caminhos atrelada à vontade de criar, que na verdade nunca saíram de mim, apenas adormeceram por causa de um ritmo de vida mecânico. Estou ciente, porém, que falar das ideias é sempre mais fácil do que colocá-las em prática, mas quero apenas apontar que pequenos passos dados, podem fazer a diferença.

E para terminar, quero deixar aqui um pequeno texto extraído do livro: “BIG MAGIC: creative living beyond fear” de Elizabeth Gilbert, que diz: “Create whatever causes a revolution in your heart. The rest of it will take care of itself”, isto é, “Crie aquilo que causa uma revolução no seu coração. O resto cuidará de si mesmo”, (tradução livre).
Não tenha medo, leitor (a) de ser um adulto que tem em si a simplicidade de uma criança de ver e se relacionar com a vida e que usa sua imaginação de maneira legítima. Saia para ver algo novo; faça algo diferente, que você nunca tentou antes. A criatividade flui quando estamos em um ambiente novo, aberto a ideias.

No final das contas, faça aquilo que você ama, não porque você precisa salvar o mundo ou porque precisa de elogios constantes, mas porque o que você produz da sua curiosidade e autenticidade é o que te desperta e te mantém vivo.