Ando pensando muito sobre o estilo de vida que nossa sociedade tem levado e suas consequências. Nesse mundo contemporâneo, apesar do acesso a muitas coisas boas, parece que estamos cada vez mais descontentes e distantes das pessoas e de nós mesmos; aprisionados e cegos em rotinas de comportamento que vão nos adoecendo pouco a pouco, onde o sofrimento e a dor alcançam uma dimensão coletiva.
Vivemos com a sensação de que não temos tempo suficiente pra tudo que a vida demanda de nós: trabalho, família, estudo, saúde, vida social, espiritual, e assim vai. E, como se não bastassem a correria e a pressa de sempre, somos sequestrados psiquicamente pela internet e as redes sociais. Se antigamente dizíamos que tempo era dinheiro, hoje podemos dizer que a nossa atenção é o recurso mais valioso; é lucro.

O economista Ladislao Dowbor, (2023) diz que estamos enfrentando um tempo em que a “indústria” da atenção tornou-se uma força estruturante central na economia mas é, em maior escala, um elemento essencial de como usamos nosso tempo, construímos nossos valores, organizamos nossas vidas. Livros e textos precisam ser comprados, enquanto a informação presente é virtual, penetra em cada momento de nossas vidas, por meio de todas as telas, e é manejada em escala global por muito poucas mãos. Até onde isso irá?
Essa pergunta faço a mim mesma, constantemente. O quanto quero ser dependente dessa economia que me captura num autoplay sem fim de reels ou stories? Não estou tentando dizer que as diferentes plataformas digitais são de todo ruim, mas vejo por mim mesma que elas podem ser perigosas e destrutivas quando damos muito da nossa presença à elas. A recompensa imediata que elas trazem de curtidas, engajamento e comentários é viciante. Se você for sincero consigo mesmo, vai admitir que já sentiu essa ilusão de pertencimento digital em algum momento ou outro. Quem não gosta de ler um comentário positivo e amoroso na sua foto ou vídeo? Tem pessoas, por exemplo, que amam um post polêmico porque polarizam e recebem muitas vizualizações. Tudo bem, cada um tem seu nicho; suas preferências. Porém, precisamos lembrar que em função disso estamos nos tornando uma sociedade ansiosa e cheia de males emocionais que não nos deixam dormir, descansar ou viver a vida de verdade.
Já escrevi outra vez a respeito dessa tema, e vejo que acabo voltando (mesmo sem querer) para ele, porque é muito atual. Eu, particularmente, estou cansada de reduzir a minha existência à padrões de medidas e exposição, de metas de produtividade ou lucro em tudo. Não seria a vida muito mais do que suas preocupações e mazelas, como disse Jesus no sermão do monte? (Mateus 6:25-34)
Nas palavras do Mestre, olhar para a natureza e a criação pode nos ensinar muito sobre nossa condição humana e o que carregamos dentro de nós. As árvores, por exemplo, não se preocupam em competir umas com as outras pra ver quem é a maior ou a mais bonita, elas simplesmente são o que são e fazem o que fazem.

Nós também somos parte dessa natureza. Daí a importância de silenciar as notificações da mercantilização da vida; desligar o autoplay por tempo indeterminado e, conscientemente, aprender a colocar o olhar no fluxo natural das coisas. Desejo, verdadeiramente, que a organização da nossa existência tenha o objetivo de trabalhar para que a Vida fique viva em nós.
Termino parafraseando algo que escutei essa semana: ”Aquilo que toma a sua atenção pode em breve tomar o seu amor”.

















