Sua atenção é lucro?

Ando pensando muito sobre o estilo de vida que nossa sociedade tem levado e suas consequências. Nesse mundo contemporâneo, apesar do acesso a muitas coisas boas, parece que estamos cada vez mais descontentes e distantes das pessoas e de nós mesmos; aprisionados e cegos em rotinas de comportamento que vão nos adoecendo pouco a pouco, onde o sofrimento e a dor alcançam uma dimensão coletiva.

Vivemos com a sensação de que não temos tempo suficiente pra tudo que a vida demanda de nós: trabalho, família, estudo, saúde, vida social, espiritual, e assim vai. E, como se não bastassem a correria e a pressa de sempre, somos sequestrados psiquicamente pela internet e as redes sociais. Se antigamente dizíamos que tempo era dinheiro, hoje podemos dizer que a nossa atenção é o recurso mais valioso; é lucro.

O economista Ladislao Dowbor, (2023) diz que estamos enfrentando um tempo em que a “indústria” da atenção tornou-se uma força estruturante central na economia mas é, em maior escala, um elemento essencial de como usamos nosso tempo, construímos nossos valores, organizamos nossas vidas. Livros e textos precisam ser comprados, enquanto a informação presente é virtual, penetra em cada momento de nossas vidas, por meio de todas as telas, e é manejada em escala global por muito poucas mãos. Até onde isso irá?

Essa pergunta faço a mim mesma, constantemente. O quanto quero ser dependente dessa economia que me captura num autoplay sem fim de reels ou stories? Não estou tentando dizer que as diferentes plataformas digitais são de todo ruim, mas vejo por mim mesma que elas podem ser perigosas e destrutivas quando damos muito da nossa presença à elas. A recompensa imediata que elas trazem de curtidas, engajamento e comentários é viciante. Se você for sincero consigo mesmo, vai admitir que já sentiu essa ilusão de pertencimento digital em algum momento ou outro. Quem não gosta de ler um comentário positivo e amoroso na sua foto ou vídeo? Tem pessoas, por exemplo, que amam um post polêmico porque polarizam e recebem muitas vizualizações. Tudo bem, cada um tem seu nicho; suas preferências. Porém, precisamos lembrar que em função disso estamos nos tornando uma sociedade ansiosa e cheia de males emocionais que não nos deixam dormir, descansar ou viver a vida de verdade.

Já escrevi outra vez a respeito dessa tema, e vejo que acabo voltando (mesmo sem querer) para ele, porque é muito atual. Eu, particularmente, estou cansada de reduzir a minha existência à padrões de medidas e exposição, de metas de produtividade ou lucro em tudo. Não seria a vida muito mais do que suas preocupações e mazelas, como disse Jesus no sermão do monte? (Mateus 6:25-34)

Nas palavras do Mestre, olhar para a natureza e a criação pode nos ensinar muito sobre nossa condição humana e o que carregamos dentro de nós. As árvores, por exemplo, não se preocupam em competir umas com as outras pra ver quem é a maior ou a mais bonita, elas simplesmente são o que são e fazem o que fazem.

Nós também somos parte dessa natureza. Daí a importância de silenciar as notificações da mercantilização da vida; desligar o autoplay por tempo indeterminado e, conscientemente, aprender a colocar o olhar no fluxo natural das coisas. Desejo, verdadeiramente, que a organização da nossa existência tenha o objetivo de trabalhar para que a Vida fique viva em nós.

Termino parafraseando algo que escutei essa semana: ”Aquilo que toma a sua atenção pode em breve tomar o seu amor”.

O resto cuidará de si mesmo

Talvez vou parecer repetitiva nesse post, mas preciso compartilhar com vocês sobre o valor de um estilo de vida criativo. Quando pequena meu senso de curiosidade era grande. Desde observar o trajeto da formiga carregando sua comida a fazer perguntas que os adultos, muitas vezes, não conseguiam me responder. Ainda hoje, meus pais riem quando se lembram disso… Para mim, observar a natureza e tentar descobrir coisas novas me ajudavam a perceber o mundo a minha volta e a ter ideias pra brincar de faz de conta. É óbvio que eu não tinha esse entendimento na época, mas olhando para trás consigo fazer a leitura do que era natural pra mim.

Com o tempo, o processo de “adultecer” começou e com ele vieram muitas responsabilidades e desconfortos. E sim, querido leitor, se você foi como eu – e a maioria das crianças – o desejo de crescer e se tornar “grande” para poder fazer o que quiser, quando quiser, estava fortemente presente. E, apesar de acreditar que ser adulto é muito bom, acabei não carregando esse senso imaginativo para a vida adulta. Não que eu não fosse uma pessoa curiosa, ou não quisesse expressar meu mundo interno, mas agora a minha obrigação era me tornar uma boa cidadã e cumprir com meus deveres, (além de ganhar meu próprio dinheiro, é claro). E para tal, já não haveria tempo para sonhar acordada nem tampouco fazer escolhas tolas. Todos os trabalhos que eu tive dos 16 anos até me casar foram em ambientes que eu não precisava criar, a bem dizer a verdade, apenas seguir ordens e cumprir com a linha de produção (mais ou menos como o taylorismo).

Trago esse cenário aqui como uma representação do que vejo acontecer com muita gente que conheço. Tornamo-nos adultos responsáveis, procurando obedecer as regras da sobrevivência; exatamente como “manda o figurino”. Mas em algum momento sentimos que falta algo, quem sabe uma pequena peça para formar o quebra-cabeça humano. Eu gostaria de sugerir que essa peça seja o desejo profundo de expressarmos nossa essência, livremente, através de um estilo de vida criativo, inato e diferente para cada um de nós. Eu mesma só comecei a escrever depois de completar 44 anos. E quando decidi fazê-lo não foi por dinheiro ou porque finalmente tive a “benção” de alguém para isso. Foi mera e simplesmente pela volta da inspiração de criança de desvendar novos caminhos atrelada à vontade de criar, que na verdade nunca saíram de mim, apenas adormeceram por causa de um ritmo de vida mecânico. Estou ciente, porém, que falar das ideias é sempre mais fácil do que colocá-las em prática, mas quero apenas apontar que pequenos passos dados, podem fazer a diferença.

E para terminar, quero deixar aqui um pequeno texto extraído do livro: “BIG MAGIC: creative living beyond fear” de Elizabeth Gilbert, que diz: “Create whatever causes a revolution in your heart. The rest of it will take care of itself”, isto é, “Crie aquilo que causa uma revolução no seu coração. O resto cuidará de si mesmo”, (tradução livre).

Não tenha medo, leitor (a) de ser um adulto que tem em si a simplicidade de uma criança de ver e se relacionar com a vida e que usa sua imaginação de maneira legítima. Saia para ver algo novo; faça algo diferente, que você nunca tentou antes. A criatividade flui quando estamos em um ambiente novo, aberto a ideias.

No final das contas, faça aquilo que você ama, não porque você precisa salvar o mundo ou porque precisa de elogios constantes, mas porque o que você produz da sua curiosidade e autenticidade é o que te desperta e te mantém vivo.

Seja medíocre


Em tempos onde ouvimos com frequência a importância da alta performance, penso ser relevante compreender esse conceito.

Antes de tudo, de onde ele vem?

De acordo com minha pesquisa, a alta performance nasceu na cultura do ambiente organizacional e diz respeito a um comportamento de esforços, determinação, foco e dedicação, cujo objetivo é alcançar resultados excepcionais. O coach norte-americano, Brendon Burchard, define essa perspectiva como “Succeeding beyond standard norms, consistently over the long-term, while maintaining positive well-being and relationships”, isto é “ser bem sucedido acima da média, de maneira consistente a longo prazo, enquanto se mantém positivamente, os relacionamentos e o bem-estar” (tradução livre), (Meier, JD. What is high performance? JD Meier.) Disponível em: [https://jdmeier.com/what-is-high-performance/]

Essa mentalidade tem encontrado espaço na vida de muitas pessoas. Eu, inclusive, segui por alguns anos coaches que promoviam a alta performance. Por favor, perceba que não estou aqui para falar mal desse hábito ou impedir qualquer um de escolher esse caminho. Quero, porém, fazer uma simples comparação entre “ser bem sucedido” e “ser medíocre”.

No dicionário Michaelis da Língua Portuguesa, a palavra medíocre significa “aquele que apresenta qualidade média, comum, mediano”. No pejorativo, quer dizer “aquele que é destituído de expressão ou originalidade”. Com essas definições em mente, pode parecer que será sempre melhor alcançar o sucesso para além da média a ser uma pessoa de desempenho comum, não acha?

Então, para termos um pouco mais de contexto, eu te pergunto: o que é ser bem-sucedido pra você? Eu me lembro que quando meu sogro completou 50 anos, tivemos uma festa de aniversário para ele, onde os familiares e amigos próximos escreveram lindas mensagens num livro para ele guardar de recordação. Meu marido, ao deixar suas palavras marcadas ali, escreveu sobre como vira o seu pai chegar àquela idade com sucesso, pois para ele sucesso não deveria ser definido, nem mensurado pela quantidade de dinheiro ou títulos acumulados, mas pelos valores e princípios dos quais não se abriu mão na caminhada. Se você conquistou o cargo dos seus sonhos dentro da melhor empresa possível, mas perdeu o casamento e se distanciou dos filhos,  será que valeu a pena? Toda a alta performance, ainda que expanda nosso potencial e dons, não pode ser desenfreada e nos adoecer a ponto de nos tornar tão egoístas por nossas conquistas e créditos pessoais (que, diga-se de passagem, são efêmeros)

Penso também sobre pais que inculcam em seus filhos a idea de seguir determinada carreira que, muitas vezes os mesmos não querem, mas acabam por acreditar que é a direção certa. Daí passam anos estudando duramente, buscando passar no vestibular através de um desempenho perfeito, afinal se o resultado for mediano, pode não se conseguir uma vaga, não é mesmo? 

Veja, estudar e se preparar para as diferentes etapas da vida, são coisas boas. Não estou fazendo apologia à expressão “couch potato”, ou seja, a estarmos satisfeitos em sentar no sofá o dia inteiro, esperando que mudanças e conquistas aconteçam. Temos e devemos de correr atrás dos nossos sonhos. Mas até que ponto, nosso desejo pelo sucesso e por sermos pessoas acima da média, pode ser saudável? Não só para nós, mas para aqueles que também convivem com a gente e acabam sentindo nossas dores e angustias. Temos que ter cuidado para não afirmar que o progresso só vem se, de fato, formos excepcionais.

Eu poderia falar mais sobre essa tema, mas decidi parar por aqui e deixar que sua imaginação continue a refletir sobre essas práticas atuais de como encontrar sucesso na vida. Espero que possamos ser os “melhores” na nossa própria régua – e na régua do Criador – medindo o sucesso não pelo que alcançamos, mas pelo que não precisamos abrir mão no percurso da vida.

A beleza da contemplação

Há mais ou menos 15 anos, entrei numa onda de garimpar móveis e objetos e dar-lhes uma nova vida.  Lembro-me bem quando meu cunhado encontrou uma janela veneziana antiga – daquelas de madeira – e a trouxe para mim. Fiquei numa felicidade, pois sabia que poderia reaproveita-la de alguma maneira. Acabei transformando-a em uma prateleira de parede onde coloquei algumas plantas. Desde então, já restaurei vários itens para compor a estética e funcionalidade da minha casa. Minha motivação, além da sustentabilidade, é de criar beleza, ordem e harmonia nos ambientes. Foi assim, que comecei a perceber o quanto meu olhar absorve o belo à minha volta; nas artes, na natureza, na arquitetura e tantos outros contextos. 

Seguindo nesse tema, trago a seguinte pergunta: O que é belo pra você? Sei que essa interrogação não pertence à modernidade, já que de fato, é uma das questões mais debatidas da filosofia grega antiga. Então, como definir a beleza? A etimologia da palavra belo vem do latim bellus que significa bonito, lindo, encantador. Já o dicionário Houaiss, apresenta o belo como algo “que tem forma ou aparência agradável, perfeita e harmoniosa. Que desperta sentimentos de admiração, de grandeza, de nobreza, de prazer, de perfeição”. No popular existe a frase “a beleza está nos olhos de quem a vê”, isto é, a beleza das coisas existe meramente na mente de quem a contempla.  

Em resumo, não seria, então, aquele que contempla, um observador da vida, que através dos seus sentidos decide o que é bonito? Creio que sim, pois o belo está ao nosso redor, em formas e formatos diferentes; só precisamos enxergá-lo. E ainda que afirmemos a subjetividade da beleza, podemos sim apreciá-la com frequência. Seja numa paisagem exótica, seja na relação humana de uma mãe que cuida do seu filho. Para mim, particularmente, a harmonia e o encanto que encontro no que vejo, me ajudam e me inspiram a criar. Por isso gosto tanto de fotografia e de escrever.

Espero leitor, te encorajar hoje, a não perder a capacidade de olhar para a imensidão do nosso planeta e constatar o esplendor e graça da sua contemplação. Que sejamos abertos aos sentimentos de observância, admiração e empatia pelo que há em nosso meio e busquemos um significado mais profundo na beleza desse mundo, para que ele continue sendo um melhor lugar para todos.

Viva a primavera!

Aqui no hemisfério norte, onde vivo, acabamos de entrar na primavera. Essa é a estação que eu mais gosto. Quando criança me lembro de ver minha vó materna cuidando das plantas e flores; uma atividade que parecia ser destinada apenas aos mais velhos. Com o passar do tempo desenvolvi meu próprio senso de apreciação da beleza e características distintas da natureza – nas suas diferentes fases – principalmente, no tempo primaveril.

Para mim, essa época do ano confirma que os dias cinzas de inverno e introspecção se foram. O momento agora é de observar o nascimento e a reprodução de novas cores, perfumes e sensações. Parece que tudo ao nosso redor ganha um novo ânimo, já que as temperaturas vão gradualmente aumentando. É como se acordássemos de um longo período de hibernação, sedentos pelo brilho do sol e pela inspiração da estação recém-chegada.

A primavera, porém, traz um convite muito especial que vai além de nos contagiar com seu encanto. Sua voz e singularidade nos lembra da importância de sair do casulo, pois é chegada a hora de alçar voo. Tudo o que processamos e vivemos na estação anterior, nos fortalece e nos prepara para novas experiências.

É assim, que podemos compreender que, sem o inverno, a primavera em nossa vida não renasce. Cada ciclo efetua um papel fundamental na natureza; e em nosso coração não é diferente. 

No livro de Cânticos 2:12-13 diz o seguinte:  “Aparecem flores na terra, e chegou o tempo de cantar; já se ouve em nossa terra o arrulhar dos pombos. A figueira produz os primeiros frutos; as vinhas florescem e espalham sua fragrância. Levante-se, venha, minha querida; minha bela, venha comigo.

Deus quer nos florescer, por isso sejamos gratos pelos invernos da vida (tempos difíceis e de restauração), e busquemos de todo coração desfrutarmos com Ele, do período do desabrochar das flores, do gorjeio dos pássaros e das coloridas paisagens.

  Vista-se da formosura que a primavera traz e não tenha medo de canta-lá. Resplandeça a força do Criador em você. Esse é o seu momento! 

O único caminho não é para frente

Meu coração queima por um mundo cada vez mais dividido, doente e egoísta. Você já reparou como muitas pessoas têm dificuldades para governar suas próprias vidas e fazer sentido do que acontece à volta delas? Quando não estão paralisadas, ou estão focadas em criticar a vida dos outros ou em buscar distrações momentâneas para mascarar suas dores e ansiedades. A internet, por exemplo, pode ser uma excelente ferramenta para o desenvolvimento do ser humano, mas na maioria das vezes (sendo bem sincera aqui), não temos domínio próprio na utilização da mesma. Caímos num buraco de fuga, que parece ser mais confortável e natural do que ter de enfrentar a realidade do cotidiano com intencionalidade e consciência. O virtual tem se tornado cada dia mais a fonte “ideal” de inspiração e comunidade, pois quando estamos em meio a grupos familiares, de igreja e do trabalho, entramos em conflito e acabamos sendo mal compreendidos. Como chegamos até aqui?

Confesso que não tenho resposta para essa pergunta, contudo sei por experiência própria, que permanecer num estado de sobrevivência e negação dos fatos, não é o que você e eu precisamos. Enquanto lutamos para dar conta de todas as responsabilidades, desafios e sofrimentos, estamos nos esquecendo de ser a transformação que tantas vezes esperamos dos outros.

Se você pensa como eu, deve concordar que apenas uma vida e caráter transformados podem produzir frutos legítimos nesta terra. Frutos que ecoarão na eternidade. Por isso, nossa natureza egoísta e vitimista precisa de ajuda. Em 1 João 4:16 diz: “Portanto, dessa forma conhecemos o amor que Deus tem por nós e confiamos plenamente nesse amor. Deus é amor, e aquele que permanece no amor permanece em Deus, e Deus nele”.  Esta semana, quando li esse trecho, pensei sobre a palavra “permanecer” e seu significado. De acordo com o dicionário português, essa palavra diz respeito a ficar ou persistir em algo. Logo, podemos entender que permanecer em Deus significa persistir em viver uma vida no amor ágape.  Quem não vive dessa forma é inconstante e controlado pelas circunstâncias ao seu redor.  Nosso alvo deve ser andar sempre nesse amor, através de atitudes e ações genuínas, pois, independentemente das dificuldades, vamos produzir frutos que permanecerão.

Nos dias de hoje, penso que o melhor caminho é ir na contramão da cultura e das expectativas estabelecidas. Meu encorajamento aqui é, para que todos nós que seguimos a Jesus possamos ter uma atitude de arrependimento e voltemos a caminhar no amor verdadeiro e transformador como estilo de vida. O que realmente importa nesta vida é o quanto aprendemos a amar. Que façamos assim enquanto há tempo!

Abrindo a janela

  Nem acredito que já se passaram pouco mais de dois anos desde que fiz a última postagem aqui no blog. Pra ser bem sincera, esse hiato foi necessário. Como tantas coisas na vida, precisei desse intervalo pra focar em questões familiares e pessoais. Espero que você leitor, também possa compreender o ciclo no qual está vivendo agora e consiga discernir o que ele exige de você. Força, que tudo vai dar certo! 

  Apesar de ter sentido falta de dar as caras aqui, nesse período continuei a escrever. Quando estava inspirada e no meu próprio ritmo. Mas dessa vez, foquei em poemas. Esse é um estilo que aprendi a gostar desde a minha adolescência, mas que deixei de lado por muitos anos. Até que, de forma muito natural, voltei à essa minha essência e não pensei duas vezes. Decidi dar vida à um compilado amador dessas prosas. Minha intenção é lançá-lo nos próximos meses como um e-book. Estou feliz de poder compartilhar – com quem me acompanha – esse projeto, que é muito especial pra mim.

  Por hora termino esse post, com um pequeno poema que fez parte dessa jornada de reflexão e criação.

Abre a janela

Pra ver o sol nascer 

Deixe a melodia do amanhecer

Te atrair 

Te despertar

E te ganhar

Sinta a leveza 

Que vem sobre ti

O vento suave 

De um novo dia

Que te oferece 

Mais uma chance

Então, vem

Respire fundo e aproveite

Cada instante é um presente

Pra sentir e dar sentido

Então, vem

Respire fundo e aproveite

Cada momento bem vivido é único 

No álbum das memórias

Obrigada e até a próxima!

Da escravidão à liberdade 

O ano passado, quando decidi escrever para o blog, estava passando por um longo processo de “cair pra dentro de mim”. Não sei bem ao certo como ele começou, mas sei que estava cansada de muita coisa, dos outros e de mim mesma. Talvez cheguei nesse ponto, em parte, pelos efeitos iniciais da pandemia, mas também por não ter governado a minha vida intencionalmente.

Como filha do meio, aprendi a estar entre dois irmãos e ser a apaziguadora das brigas. Não que eu também não brigasse, mas tomei pra mim a função de abrandar os conflitos do dia-a-dia. Pensava que sendo responsável, boa filha e boa irmã, minha vida seria melhor. 

Desse modo, me tornei uma pessoa focada em agradar os outros e com necessidade de aprovação. Permiti com que a minha felicidade e o controle da minha vida dependessem sempre da ação das pessoas a minha volta. Demorei pra perceber que precisava romper; me libertar de mim mesma e da escravidão da minha mente. Infelizmente, vejo muita gente vivendo assim hoje, como escravas dos seus pensamentos negativos e crenças limitantes; presas em cárceres emocionais e sufocantes.

Nessa caminhada, só comecei a experimentar a liberdade, quando passei a olhar pra dentro de mim e viver o amor de Deus. Ele é o início de tudo, e desde a eternidade – conceito que está além do tempo cronológico e que não pode ser medido-  já nos tinha desejado. Romanos 11:36 diz: Porque Dele e por Ele, e para Ele são todas as coisas; glória, pois, a Ele eternamente. 

Tudo o que é bom se origina Nele; mas Ele também é o meio e o final. Por isso precisamos entender que antes de fazermos sentido de quem somos, precisamos enxergar quem Deus é. Ele é o dono de tudo, e é através Dele que somos e fazemos, para que no fim, tudo volte para Ele, inclusive a glória.

Que o amor Dele seja a base, mas que possamos ir além, sempre sondando o nosso coração e “jogando fora o lixo”, pois só assim sairemos da alienação para o governo que Ele nos chama. (Gen. 1:26)

O melhor dos “MUNDOS”

Minha família está próxima a completar 10 meses de mudança para Portugal. Quando iniciei o blog, ainda morávamos na Califórnia, mas já estávamos no processo de tirar o visto de residência para as terras lusitanas.

Pra quem não conhece nossa história, nós já moramos no Brasil, Estados Unidos e agora Europa. Nesses 22 anos casada com um norte-americano, conhecemos e convivemos com muitas culturas diferentes, principalmente por causa das nossas viagens missionárias. Isso fez com que nossa cosmovisão se ampliasse, possibilitando-nos um novo olhar em relação ao que realmente importa nessa vida. 

Hoje, morando em um terceiro país, temos visto na prática como essa questão é importante para a nossa sobrevivência. Falo isso porque o lifestyle do europeu é diferente do brasileiro e americano.  Pra nós, os ajustes têm sido lentos e contínuos, e por vezes frustrantes. Não por causa dos portugueses, mas porque viemos pra cá ancorados em um conjunto de crenças e costumes pessoais sobre os quais criamos expectativas.  Sendo assim, temos desenvolvido o seguinte lema: aquilo que podemos manter entre nossa família, nos fazemos; e aquilo que envolve outras pessoas, seguimos o fluxo natural deles. Não dá pra querer impor o seu jeito de fazer e resolver as coisas. Ou você se abre para aprender com o novo, ou vai sofrer. 

Graças a Deus, a despeito das diferenças, nossas experiências tem nos ensinado a aproveitar e desfrutar do melhor de cada lugar. Os gringos tem uma expressão que eu gosto muito, que diz: “Have the best of both worlds”. Isso significa ter o melhor de dois mundos, ou o melhor de duas coisas. Eu sempre expliquei isso em casa de forma literal. Não tem como mudar de contexto, e ainda desejar viver no anterior. Toda nova situação pode ser intimidante, mas só vai fluir se nossa capacidade de adaptação não estiver atrelada à comparações desnecessárias. Quando estamos no Brasil, curtimos o melhor do país, quando estamos nos EUA, curtimos o melhor de lá. E agora usufruímos do melhor de Portugal. Todos esses “mundos” vão ter coisas boas e outras, nem tanto, mas vai depender de nós, vivê-las ou não.

Em suma, para nós as mudanças geográficas tem sido um desafio. Pra você, talvez sejam outros tipos de mudanças, mas que no final também requerem um novo olhar. Exercite evitar as comparações negativas – pois não te levarão para um bom lugar no seu coração e mente – e  permita-se aproveitar o melhor dos seus “mundos”.  Com certeza seus resultados serão além do você imagina!

Você escolhe suas reações?

O verão oficialmente terminou, e cá estou eu, dando as caras novamente, rsrs. Nossa família tirou um tempo para viajar e aproveitar o finalzinho das férias das crianças. Pra mim e o David, gastar tempo com os filhos e criar memórias, é sempre um ótimo investimento.

Então, o que tenho pra compartilhar hoje é algo no qual tenho pensado bastante. Assisti uma mentoria sobre ação e reação que mexeu comigo. Acredito que a maioria de nós já tenha ouvido sobre esse tema em alguma ocasião da vida. E mesmo que nossa compreensão disso seja muito clara, a pergunta é: “Será que praticamos, corretamente, esse princípio?”

Veja, para um projeto, sonho ou pequenas tarefas do dia-a-dia serem realizados, precisamos ter ações. Nada acontece quando passamos tempo de braços cruzados sentados no sofá, não é mesmo? Mas, enquanto agir é algo muito importante para os relacionamentos e conquistas do ser humano, não podemos nos esquecer que, reagir também é. E, por que? Porque podemos, facilmente, destruir algo que nos levou meses ou anos para construir; simplesmente porque reagimos à uma situação com um comportamento imaturo ou uma atitude de um coração ferido. Sinceramente, podemos concordar que muitos de nós já tivemos amizades, negócios, parcerias, ministérios, entre outras conexões, desmanchados por causa das nossas reações. 

Você até pode pensar, ah mas eu conheço pessoas que são muito mais esquentadas que eu, e que respondem de formas que eu não faço. Mas, se dentro de nós estamos amargurados, com raiva e nos sentindo injustiçados, vamos acabar revelando isso, em algum momento ou outro.

O que tenho percebido é que, a principal questão aqui é sobre o nosso caráter, pois toda reação – em qualquer contexto – nada mais é do que um espelho do nosso coração. Pense no seguinte: reação tem a ver com a sua atitude; a sua atitude pode construir ou corromper o seu caráter; e o seu caráter tem que ser maior do que o que você faz, pois tem a ver com quem você foi criado para ser. O caráter é o que precisa crescer cada vez mais.  E isso só acontece quando trabalhamos nas nossas atitudes.

Se entendemos que Deus nos deu o livre arbítrio, então somos livres para fazer escolhas, bem como para lidarmos com a consequência dos nossos atos. Nossas práticas nessa terra são responsabilidades nossas. Então, não se esqueça, você e eu podemos sempre escolher como manifestar as intenções do nosso coração. Meu desejo é que elas possam ser sempre de amor e não vingança!