O melhor dos “MUNDOS”

Minha família está próxima a completar 10 meses de mudança para Portugal. Quando iniciei o blog, ainda morávamos na Califórnia, mas já estávamos no processo de tirar o visto de residência para as terras lusitanas.

Pra quem não conhece nossa história, nós já moramos no Brasil, Estados Unidos e agora Europa. Nesses 22 anos casada com um norte-americano, conhecemos e convivemos com muitas culturas diferentes, principalmente por causa das nossas viagens missionárias. Isso fez com que nossa cosmovisão se ampliasse, possibilitando-nos um novo olhar em relação ao que realmente importa nessa vida. 

Hoje, morando em um terceiro país, temos visto na prática como essa questão é importante para a nossa sobrevivência. Falo isso porque o lifestyle do europeu é diferente do brasileiro e americano.  Pra nós, os ajustes têm sido lentos e contínuos, e por vezes frustrantes. Não por causa dos portugueses, mas porque viemos pra cá ancorados em um conjunto de crenças e costumes pessoais sobre os quais criamos expectativas.  Sendo assim, temos desenvolvido o seguinte lema: aquilo que podemos manter entre nossa família, nos fazemos; e aquilo que envolve outras pessoas, seguimos o fluxo natural deles. Não dá pra querer impor o seu jeito de fazer e resolver as coisas. Ou você se abre para aprender com o novo, ou vai sofrer. 

Graças a Deus, a despeito das diferenças, nossas experiências tem nos ensinado a aproveitar e desfrutar do melhor de cada lugar. Os gringos tem uma expressão que eu gosto muito, que diz: “Have the best of both worlds”. Isso significa ter o melhor de dois mundos, ou o melhor de duas coisas. Eu sempre expliquei isso em casa de forma literal. Não tem como mudar de contexto, e ainda desejar viver no anterior. Toda nova situação pode ser intimidante, mas só vai fluir se nossa capacidade de adaptação não estiver atrelada à comparações desnecessárias. Quando estamos no Brasil, curtimos o melhor do país, quando estamos nos EUA, curtimos o melhor de lá. E agora usufruímos do melhor de Portugal. Todos esses “mundos” vão ter coisas boas e outras, nem tanto, mas vai depender de nós, vivê-las ou não.

Em suma, para nós as mudanças geográficas tem sido um desafio. Pra você, talvez sejam outros tipos de mudanças, mas que no final também requerem um novo olhar. Exercite evitar as comparações negativas – pois não te levarão para um bom lugar no seu coração e mente – e  permita-se aproveitar o melhor dos seus “mundos”.  Com certeza seus resultados serão além do você imagina!

Você escolhe suas reações?

O verão oficialmente terminou, e cá estou eu, dando as caras novamente, rsrs. Nossa família tirou um tempo para viajar e aproveitar o finalzinho das férias das crianças. Pra mim e o David, gastar tempo com os filhos e criar memórias, é sempre um ótimo investimento.

Então, o que tenho pra compartilhar hoje é algo no qual tenho pensado bastante. Assisti uma mentoria sobre ação e reação que mexeu comigo. Acredito que a maioria de nós já tenha ouvido sobre esse tema em alguma ocasião da vida. E mesmo que nossa compreensão disso seja muito clara, a pergunta é: “Será que praticamos, corretamente, esse princípio?”

Veja, para um projeto, sonho ou pequenas tarefas do dia-a-dia serem realizados, precisamos ter ações. Nada acontece quando passamos tempo de braços cruzados sentados no sofá, não é mesmo? Mas, enquanto agir é algo muito importante para os relacionamentos e conquistas do ser humano, não podemos nos esquecer que, reagir também é. E, por que? Porque podemos, facilmente, destruir algo que nos levou meses ou anos para construir; simplesmente porque reagimos à uma situação com um comportamento imaturo ou uma atitude de um coração ferido. Sinceramente, podemos concordar que muitos de nós já tivemos amizades, negócios, parcerias, ministérios, entre outras conexões, desmanchados por causa das nossas reações. 

Você até pode pensar, ah mas eu conheço pessoas que são muito mais esquentadas que eu, e que respondem de formas que eu não faço. Mas, se dentro de nós estamos amargurados, com raiva e nos sentindo injustiçados, vamos acabar revelando isso, em algum momento ou outro.

O que tenho percebido é que, a principal questão aqui é sobre o nosso caráter, pois toda reação – em qualquer contexto – nada mais é do que um espelho do nosso coração. Pense no seguinte: reação tem a ver com a sua atitude; a sua atitude pode construir ou corromper o seu caráter; e o seu caráter tem que ser maior do que o que você faz, pois tem a ver com quem você foi criado para ser. O caráter é o que precisa crescer cada vez mais.  E isso só acontece quando trabalhamos nas nossas atitudes.

Se entendemos que Deus nos deu o livre arbítrio, então somos livres para fazer escolhas, bem como para lidarmos com a consequência dos nossos atos. Nossas práticas nessa terra são responsabilidades nossas. Então, não se esqueça, você e eu podemos sempre escolher como manifestar as intenções do nosso coração. Meu desejo é que elas possam ser sempre de amor e não vingança!

Você tem medo de quebrar regras?

Na minha mente, o Cristianismo não é uma religião, mas um lifestyle de amor, perdão e graça. E mesmo que não se resuma somente a esses princípios, os mesmos devem estar em evidência naqueles que seguem a Cristo. A partir do momento em que regras e leis criadas por homens falam mais alto que o amor de Jesus por vidas, tem algo errado aí. 

Escrevo a respeito disso, por perceber como muitas igrejas e ministérios ainda possuem liturgias e regras para manter a ordem do espaço físico e/ou estrutura do culto. Não sou contra isso! Eu mesma trabalhei por mais de 15 anos nesse contexto e sei como funciona na prática. Mas o que ainda se vê muito no meio cristão, são líderes impondo determinações que não podem ser quebradas em favor de princípios e valores que o próprio Jesus deixou como exemplo. E sim, concorde você ou não, o filho de Deus não teve problema em quebrar regras e paradigmas. Ele curou no sábado e isso foi um escândalo para os judeus. Também interagiu com mulheres e prostitutas, além de comer com publicanos e pecadores, violando assim, as tradições culturais da época.

Jesus enxergava indivíduos e por isso teve compaixão das pessoas. Podemos ver o modelo de vida que Ele estabeleceu, do qual Paulo fala em Romanos 12:2 (Passion Translation) “Stop imitating the ideals and opinions of the culture around you, but be inwardly transformed by the Holy Spirit through a total reformation of how you think. This will empower you to discern God’s will as you live a beautiful life, satisfying and perfect in his eyes.”

“Parem de imitar os ideais e as opiniões da cultura ao seu redor, mas sejam transformados interiormente pelo Espírito Santo através de uma renovação completa da sua mente. Isso lhes permitirá discernir a vontade de Deus enquanto vivem uma vida linda, satisfeita e perfeita aos olhos Dele”. (tradução minha)

A referência deixada pra nós por Cristo, diz respeito à cultura do reino de Deus. Quando nos submetemos à cultura do mundo – mesmo em contextos cristãos – nos adequamos a ela e deixamos de imitar o coração de Jesus. A cultura da igreja ou instituição cristã, nunca deve ser maior do que a cultura do Reino. Regras podem ser quebradas sim, princípios do Criador; jamais!

Então porque não deixamos o próprio amor de Jesus – que nos alcançou de maneira tão maravilhosa – incluir os outros mesmo quando isso significar a quebra de uma regra? O que vale mais pra você, manter a “norma” ou agir como Jesus faria? 

Como você vê o seu chamado?

Quando penso sobre as decisões erradas que já tomei na vida, vejo que algumas, em particular, aconteceram sob pressão ou no calor do momento. Tive que lidar com as  consequências, é claro, mas também tirei grandes aprendizados. Acredito que isso faz parte do processo de amadurecermos e crescermos em autorresponsabilidade.

Porém, percebi que algumas outras decisões, que inicialmente, pareciam boas e admiráveis, se tornaram complexas no final, e me trouxeram muita insatisfação. Deixe-me dar um exemplo. Ao terminar o Ensino Médio – que na minha época era chamado de 2º Grau – ainda não estava certa do que cursar na faculdade. Só sabia que seria algo na área de humanas (pois números e cálculos não eram o meu forte). Então, tirei um ano sabático – depois de formada – para pensar melhor e estudar para o vestibular. Decidi fazer Direito, por influência de algumas pessoas do meu círculo e acabei arrumando um estágio em uma advocacia, logo no início do curso. Foi uma fase de muitos desafios e coisas novas. Entretanto, depois de quase 2 anos ali, eu não estava contente. Entendi que estava sendo treinada para ser alguém que, no fundo, eu não queria ser. Isso mesmo, eu não queria ser advogada.

Não sei se você já passou por isso em alguma fase da sua vida, mas se sim, você sabe como é importante se conhecer e saber o que quer.  Não falo aqui te traçar um plano de vida perfeito e vive-lo à risca, pois com certeza, vão haver provas e obstáculos no caminho que podem mudar a rota. Falo da minha percepção de que muita gente, ainda é treinada e condicionada para ser aquilo que não tem nada a ver com o seu chamado. Elas parecem insistir em viver assim uma vida toda, sem perceber que estão deixando de ser suas melhores versões.

A necessidade de cumprir o propósito nessa terra que faça sentido pra nós é legítima, mas no caminho podemos complicar as coisas e acabar nos afastando do nosso verdadeiro DNA. Quem vive colocando complicação na vida, não será parte da solução. E a realização do seu chamado será algo inconstante e frustrante pra você. 

Para mim, perceber que precisava simplificar a maneira de olhar para o meu futuro, foi fundamental para quem eu sou hoje e o que faço. Uma nova mentalidade e roteiro que se encaixe na sua vocação, não vai te proporcionar uma vida perfeita, mas no mínimo tirará um peso de ser quem você não foi chamado pra ser.

O Segredo

Por muito tempo em minha caminhada cristã, tive uma visão e entendimento limitados de Deus e, consequentemente, do filho; Jesus. As falsas doutrinas e as normas de usos e costumes que me foram, ora apresentados, ora impostos, construíram o meu “cristianismo”. Essa era a base da minha vida, desde a adolescência – a religiosidade – fundamentada no medo e na insegurança de ser rejeitada por Ele, o Criador de tudo.

Ou eu obedecia, (mesmo sem compreender muitas coisas) ou não teria o amor e as benção Dele. Ou fazia tudo “certinho” ou seria exposta pelos meus erros. Essa mentalidade me escravizou e me fez sentir no direito de julgar os outros por não terem o mesmo comportamento que o meu. E quando eu pecava, a culpa me acompanhava como uma bolsa a tiracolo, um castigo totalmente merecido, para sempre!

Vivi assim por anos, sem perceber como isso estava enraizado em mim. Até um dia sentir que o verdadeiro amor de Deus não cobrava de mim uma vida perfeita, nem esperava nada em troca.

Ah, esse amor é TUDO! É liberdade comprada com sangue. É compaixão sem rótulos; misericórdia sem passado. É perdão sem arquivo de ficha. É a vida de Cristo na minha vida. É o que me faz ver que o caminho não está fora (Velha Aliança), mas o caminho está dentro de mim e se chama Jesus.

.

O legalismo aprisiona; a Cruz liberta! Gálatas 5:1, dizFoi para a liberdade que Cristo nos libertou. Portanto, permaneçam firmes e não se deixem submeter novamente a um jugo de escravidão.” 

Como é bom conhecer e viver esse Jesus: a plenitude do segredo de Deus. Ele é a chave que abre todos os tesouros escondidos do conhecimento e da sabedoria que vem do Pai. Ele cumpriu a lei e tornou possível a nós uma vida plena que começa aqui até a eternidade.

União ou Unidade?

Já a algum tempo venho meditando sobre a diferença entre esses dois conceitos e por isso, resolvi escrever aqui.

De acordo com o dicionário, a palavra união (do latim unio) é o ato ou efeito de unir; agrupamento; associação; ligação. Já a palavra unidade (do latim unitas) significa uniformidade, coerência, característica do que forma um todo orgânico. Ainda que sejam substantivos parecidos em seus significados, na prática não os vejo desse modo. Daí você pergunta: Como assim?

Olha, um saco de batatas mostra que todas as batatas estão juntas no mesmo lugar. Podemos dizer então, que ali há união. Porém, quando essas mesmas batatas vão pra panela juntas e se tornam um purê, já não estão mais unidas e sim, em unidade. Cada uma delas “abriu mão” de ser uma batata solta no prato de alguém, para se tornar parte de uma finalidade única. 

A união é temporária, pois as mesmas pessoas que um dia se juntaram, em outro podem se espalhar. A unidade e seus efeitos são para sempre. Nela as pessoas abrem mão do seu ego para caminharem em uniformidade de propósito. Se tornam umas pelas outras. 

A união é o ajuntamento. A unidade vai além: é estar em um constante processo de renúncia do eu, na busca pelo mesmo objetivo. O próprio Jesus tinha unidade com o Pai e seus 11 discípulos. O traidor Judas, não teve essa mesma unidade. Ele teve união com todos, mas focou nos seus próprios interesses e não entendeu o propósito maior de caminhar com o Mestre.

Alguns dias atrás, estava estudando a história da expansão marítima portuguesa com a minha filha caçula. Fiquei bem impressionada com o que li, pois entendi como tudo começou. No século XV, Portugal passava por um período de crise econômica e precisava melhorar as condições de vida de seus habitantes. Foi quando “D. João I decidiu avançar para resolver os problemas do reino e para mostrar o seu poder aos outros reinos”(GAGO, Marília; MARINHO, Paulo, Era uma vez…5, Raiz Editora, 2020)

Todavia, pra que a expansão marítima trouxesse resultados, foi imprescindível haver o mesmo interesse da parte de todos os portugueses: Coroa, clero, nobreza, burguesia e o povo. 

Foto by KATI DAWSON

A unidade de pensamento e propósito deles, trouxe força para que os descobrimentos além mar fossem bem sucedidos. Não vou discutir aqui a parte da colonização de exploração que fizeram no novo mundo. Quero me ater ao fato de que esse povo foi pioneiro nas grandes navegações, desenvolvendo excelentes técnicas e instrumentos náuticos bem como a construção das caravelas. Ah como é bom perceber, que aonde existe unidade, existe conexão e transformação.

E você, vive em união ou em unidade?

Volte a sonhar

Todos nós fomos criados de formas diferentes e em contextos variados, concorda?  E ainda que os princípios e valores empregados sejam os mesmos pra muitos de nós, nossa capacidade de enfrentar os problemas e encarar a vida não é a mesma. 

O que penso é que, ao longo da nossa formação e desenvolvimento, vamos “permitindo” – consciente e inconscientemente – que fatores externos influenciem as nossas preferências e crenças sobre nós e o mundo. Isso não é, necessariamente, algo ruim. Mas ao invés de comermos a carne e jogarmos fora o osso, fazemos o contrário. Nos alimentamos de inverdades e sofismas. Deixamos as circunstâncias e eventos negativos interferirem nas nossas decisões e abaterem o nosso ânimo.

Vamos sendo levados, aos poucos, a parar de sonhar. É algo muito sutil, que mina nossa fé até chegarmos ao ponto de desistirmos de ansiar por coisas novas. Ficamos com medo de dar passos adiante, medo de mudar, medo de nos relacionarmos com os outros, medo de sermos rejeitados novamente, medo de sermos julgados por sermos nós mesmos, medo de perdermos a estabilidade, medo de sermos enganados, medo de sofremos, entre tantos outros.

Essa mesma mentalidade ditou o meu m.o. (modus operandi) por muito tempo. Meus temores, enraizados na mente, tiveram que ser jogados fora de vez,  pois estavam me levando à um isolamento, que por sua vez estava matando a minha capacidade de sonhar. Esse é um lugar solitário, mas também é egoísta, pois nos impede de ver o outro, de estar com ele, de servi-lo e de aprender com ele.

Em João 16:33, Jesus disse: Neste mundo vocês terão aflições; contudo, tenham ânimo! Eu venci o mundo”. Sim, nos é garantido que passaremos por diversas tribulações, mas também nos e garantido que assim como Ele venceu, também venceremos, e para isso precisamos ter ânimo; ter coragem de sair do esconderijo.

Quando entendi isso, passei a desejar viver o melhor de Deus para mim nessa terra. Escolhi não ser vítima da minha própria história, mas protagonista. Temos a oportunidade todos os dias, de trocar o pessimismo pela esperança; as circunstâncias pela imaginação; os pesadelos pelos sonhos! 

Sem resistência e de coração aberto, voltemos a sonhar! 

Sob pressão

Quando passei no vestibular pra estudar Direito, minha idéia era conseguir um estágio tão logo possível. E, de fato, em poucos meses eu estava empregada em um escritório de advocacia. Até então, minhas obrigações eram com a faculdade e os serviços de casa. Meus pais trabalhavam fora, então eu e meus irmãos ajudávamos com a limpeza e a comida.

Eu já tinha tido alguns trabalhos anteriormente, mas todos eram atividades simples e por um período curto. Dessa vez, eu podia dizer que estava oficialmente registrada em carteira. Eu fazia de tudo um pouco: desde atender o telefone na recepção até levar os processos trabalhistas aos Fóruns devidos, para ganhar experiência.

Nessa altura da minha vida, eu era uma pessoa tímida e que fugia de conflitos. Trabalhar sob pressão me causava dor de estômago e mal estar. Algumas vezes chorei escondido, por tomar broncas do chefe ou de outros advogados que apareciam no escritório. Esse era apenas o início de uma caminhada de amadurecimento e crescimento em autorresponsabilidade. 

Depois dessa fase, vivi uma temporada nos Estados Unidos, me casei com um norte-americano, fui esposa de pastor, tive três filhos, me formei em Pedagogia, morei na Califórnia e mudei para Portugal (estou resumindo aqui, rs). Em todos esses ciclos mencionados, a pressão não diminuiu mas continuou existindo, em menor ou maior grau.

E o que você quer dizer com tudo isso, Kati?  Quero dizer que a pressão na vida, é real. Talvez pra você ela é continua e não dá trégua. Mas saiba que ela pode ser boa e te lançar cada vez mais adiante. Sim, por mais que não gostemos de ser pressionados em nada, uma hora ou outra nos sentiremos assim. E o que você faz com isso?

 Aprendi que ao invés de reclamar e dizer: “eu não funciono sob pressão!”, “me deixa em paz”; eu canalizo a energia que vem com ela pra me lançar pra frente. 

Por exemplo, uma panela de pressão gira o seu pino quando está funcionando corretamente, e através da energia gerada ela vai cozinhar a sua comida. A pressão move as coisas! Um mar calmo nunca fez bom marinheiro, não é mesmo? Muitas vezes pra conseguirmos o resultado ou benefício desejado, passaremos por pressões que parecem nos querer esmagar, mas se entendermos para o que ela serve, desfrutaremos do que ela produz.

Túnel do tempo

Você se recorda de alguma situação em que uma percepção sensorial te levou direto para o túnel do tempo? Tipo, comer uma torta em um café muito parecida com a que a sua avó fazia pra você, ou, ouvir uma música específica que fez parte da sua adolescência e dos tempos bons com seus amigos.  

Então, uns dias atrás tive um episódio desses. Estava no shopping com uma amiga,  quando ela me chamou pra ver um desses difusores de ambiente. Quando encostei meu nariz próximo ao vidro, imediatamente resgatei um cheiro particular da minha vida no Brasil. Não queria mais largar aquele produto, rsrs. Voltei para um registro pessoal do tempo em que aquele cheiro era presente no meu dia a dia e me lembrei da minha casa de vila no município de São Caetano do Sul, da minha família, da escola, dos meus amigos e de muita coisa vivida. Fui tocada por um senso de familiaridade e aconchego que muitos de nós buscamos, ao replicarmos o mesmo, com fotos, móveis e objetos herdados das outras gerações. 

Quando isso acontece, ativamos a nossa memória afetiva e recuperamos momentos importantes da nossa vida. Para mim, o olhar nostálgico pode ser, de fato, algo muito proveitoso, pois nos permite acessar as experiências boas e significativas do tempo. É poder trazer ao coração aquilo que é muito especial sobre nossa história e identidade.

Entretanto, voltar ao passado não deve nos fazer querer permanecer nele o tempo todo, principalmente se existem lembranças de situações que não foram bem resolvidas e digeridas. Ficamos revivendo memórias de um tempo que não volta mais, nem mesmo pra consertarmos nossos erros. Portanto, da mesma maneira que viver com a cabeça constantemente no futuro pode causar ansiedade; o excesso de passado pode causar depressão. Falo isso como alguém que já viveu em ambos os extremos e sofreu muito por não estar mais atenta ao presente. Na prática, o que podemos fazer ou mudar está no HOJE!

Por isso, gosto do que Jeremias diz: (Lam. 3:16): “quero trazer à memória o que me pode dar esperança” e não o oposto. O contexto em que o profeta se encontrava – bem como toda a cidade de Jerusalém – era de muito sofrimento, dor e lágrimas, pois eles estavam sucumbindo ao império babilônico. As emoções eram intensas e os sentimentos profundos, muito próximos do que estamos vivendo em tempos de pandemia. Mas ainda assim, ele sabia que esse mal não seria pra sempre. O foco era acessar a fonte e depender dela; do único que pode renovar suas misericórdias sobre nós e alimentar a nossa esperança com vida. Se o teu passado é pesado, ressignifique-o e foque em remir o tempo!

Concluo esse post dizendo que, acolher a sensação de navegar pelas nossas lembranças afetivas pode ser muito bom, mas melhor ainda é acolher o que é verdadeiro, puro, nobre e amável para costurar na colcha de retalhos da nossa história. Pois num futuro breve, o nosso presente se tornará nada mais do que a criação do nosso passado. Pense nisso!

Diário de um fim de semana em Évora

PHOTO BY KATI DAWSON

Oi minha gente! O mês passado decidimos explorar uma nova região de Portugal que não conhecíamos. Assim que fomos liberados pelo governo para atravessar os concelhos (municípios), começamos a nos planejar. Foi uma viagem curta para a nossa família, mas aproveitamos ao máximo o que estava à nossa disposição. Não diria que esse post consegue cobrir todas as atrações e pontos turísticos, mas pode dar a vocês uma ideia do que esperar.

Então, vamos ao que interessa. De origem nos tempos da ocupação romana, Évora é uma das cidades portuguesas mais antigas e também a capital do distrito de ÉVORA, no coração do Alentejo. Com uma rica história da arte portuguesa, ela é um dos destinos preferidos dos turistas nacionais e estrangeiros.

Então, chegamos lá numa sexta-feira, por volta das 21h e fomos direto para o nosso Airbnb alugado. A propósito, conseguimos um local no centro da cidade, próximo de tudo e com um preço muito acessível. Vale a pena programar a viagem com antecedência, pois assim você se permite ver com calma, todas as opções e preços de estadia e passeios que cabem no seu orçamento.

Nesse mesmo dia ficamos o restante da noite dentro do apartamento, com a nossa cria.  Como muitos restaurantes já estavam pra fechar, optamos por fazer uma noite de pizza e filme com eles, guardando nossa energia para o dia seguinte. Se você tem filhos que já estudam história na escola, minha dica é que você contextualize a exploração local de maneira leve e divertida, fazendo conexões – dentro do que eles conseguem absorver – entre o mundo antigo e o contemporâneo. Afinal, aprender história não precisa ser algo entediante!

No sábado, passamos o dia andando pelo centro e foi onde tiramos a maioria das nossas fotos. Cada lugarzinho de Évora inspira e te leva numa viagem ao tempo. Começamos pela igreja de Santo Antão, próximo ao chafariz da Praça do Giraldo, seguindo por ruas de pedras estreitas até a Igreja de Nossa Senhora da Graça – construída no século XV em estilo renascentista italiano – e o claustro adjacente do mosteiro de XVII.

Passamos também pela belíssima Igreja de São Francisco – com seu estilo gótico-manuelino – e pela a Capela dos Ossos, que, apesar de parecer assustadora, é considerada um dos monumentos mais conhecidos de Évora. Nela você vai encontrar mais de 5.000 ossos e crânios de monges que decoram o seu interior e te convidam a refletir sobre a transitoriedade da vida. Ah, e o grandioso Templo Romano do Século I, (considerado Patrimônio Mundial pela UNESCO desde 1986), que é uma das mais importantes ruínas históricas do país.

Para finalizar nosso tempo no Alentejo, visitamos o Mercado Municipal, a catedral de Évora (minha favorita), o Centro de Arte e Cultura Eugênio de Almeida e por último, mas não menos importante, o Cromeleque dos Almendres, o maior monumento pré-histórico megalítico de toda a Península Ibérica (do 4°/6° milênio).

Apesar de não termos conseguido ver tudo que se tem pra ver em Évora, voltamos pra Cascais com uma sensação de termos saído de um livro fascinante sobre a linha do tempo. E ainda por cima, aproveitamos um fim de semana de qualidade em família, o que sempre vai valer a pena!