Túnel do tempo

Você se recorda de alguma situação em que uma percepção sensorial te levou direto para o túnel do tempo? Tipo, comer uma torta em um café muito parecida com a que a sua avó fazia pra você, ou, ouvir uma música específica que fez parte da sua adolescência e dos tempos bons com seus amigos.  

Então, uns dias atrás tive um episódio desses. Estava no shopping com uma amiga,  quando ela me chamou pra ver um desses difusores de ambiente. Quando encostei meu nariz próximo ao vidro, imediatamente resgatei um cheiro particular da minha vida no Brasil. Não queria mais largar aquele produto, rsrs. Voltei para um registro pessoal do tempo em que aquele cheiro era presente no meu dia a dia e me lembrei da minha casa de vila no município de São Caetano do Sul, da minha família, da escola, dos meus amigos e de muita coisa vivida. Fui tocada por um senso de familiaridade e aconchego que muitos de nós buscamos, ao replicarmos o mesmo, com fotos, móveis e objetos herdados das outras gerações. 

Quando isso acontece, ativamos a nossa memória afetiva e recuperamos momentos importantes da nossa vida. Para mim, o olhar nostálgico pode ser, de fato, algo muito proveitoso, pois nos permite acessar as experiências boas e significativas do tempo. É poder trazer ao coração aquilo que é muito especial sobre nossa história e identidade.

Entretanto, voltar ao passado não deve nos fazer querer permanecer nele o tempo todo, principalmente se existem lembranças de situações que não foram bem resolvidas e digeridas. Ficamos revivendo memórias de um tempo que não volta mais, nem mesmo pra consertarmos nossos erros. Portanto, da mesma maneira que viver com a cabeça constantemente no futuro pode causar ansiedade; o excesso de passado pode causar depressão. Falo isso como alguém que já viveu em ambos os extremos e sofreu muito por não estar mais atenta ao presente. Na prática, o que podemos fazer ou mudar está no HOJE!

Por isso, gosto do que Jeremias diz: (Lam. 3:16): “quero trazer à memória o que me pode dar esperança” e não o oposto. O contexto em que o profeta se encontrava – bem como toda a cidade de Jerusalém – era de muito sofrimento, dor e lágrimas, pois eles estavam sucumbindo ao império babilônico. As emoções eram intensas e os sentimentos profundos, muito próximos do que estamos vivendo em tempos de pandemia. Mas ainda assim, ele sabia que esse mal não seria pra sempre. O foco era acessar a fonte e depender dela; do único que pode renovar suas misericórdias sobre nós e alimentar a nossa esperança com vida. Se o teu passado é pesado, ressignifique-o e foque em remir o tempo!

Concluo esse post dizendo que, acolher a sensação de navegar pelas nossas lembranças afetivas pode ser muito bom, mas melhor ainda é acolher o que é verdadeiro, puro, nobre e amável para costurar na colcha de retalhos da nossa história. Pois num futuro breve, o nosso presente se tornará nada mais do que a criação do nosso passado. Pense nisso!

Publicado por katidawson

Esposa de David, mãe da Emily, Gabriel e Laura. Falo sobre lifestyle e desafios de um casamento transcultural e uma família internacional.

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